sábado, 19 de junho de 2010

Vinhos da África do Sul

Aproveitando o gancho da última matéria e que o foco da mídia esta todo no país da copa nos próximos meses, escolhi falar um pouco da África do Sul. Muito mais do que ser o país sede de um dos maiores eventos esportivos do mundo e ser conhecido também pelas belas e selvagens paisagens e seus incríveis safáris, há o lado vitivinícola que vem há anos ganhando destaque e prestigio internacional.

A África do Sul pertence ao novo mundo do vinho, mas sua história vitivinícola possui 300 anos, e é uma mescla do clássico estilo europeu com as novas influências do novo mundo. Atualmente conta com uma área de vinhedos em torno de 102.146,00 hectares, cultivadas por pouco mais de 4.500 produtores e possuem em torno de 340 vinícolas.


O clima é temperado, embora possua uma diversidade de micro-climas e “terroirs” que se adaptam bem a diferentes variedades cultivadas. Mas em geral apresenta verões quentes e invernos frios. As chuvas são mais presentes entre maio e agosto, e na região nordeste o clima fica mais quente e seco.

A uva emblemática do país é a Pinotage, um híbrido do Pinot Noir e Hermitage (Cinsaut). Essa variedade é genuinamente sul-africana, mais de 20% dos vinhos tintos sul-africanos é produzido com essa variedade.


Mas além da Pinotage outras cepas são cultivadas lá, como a Cabernet Sauvignon, Merlot, Shiraz, Cabernet Franc e Pinot Noir entre as uvas tintas e Sauvignon Blanc, Chardonnay, Chenin Blanc, Colombard, Semillon, Muscat e outras entre as brancas.

As principais regiões produtoras da África do Sul são Boberg, Breede River Valley, Coastal Region, Klein Karoo, Kwazulu-Natal, Nothern Cape, Olifants River entre outras. Em 2008 foram produzido 800 milhões de litros de vinho, sendo que mais da metade destinado a exportação. O setor propicia as regiões vitivinícolas mais de 250 mil empregos diretos e indiretos.


As vinícolas sul-africanas adotaram muito mais do que tecnologia de ponta, e modernas técnicas de viticultura e enologia. Atualmente todas as empresas contam com estudos científicos de no mínimo dois anos antes de iniciar a produção, tais como: identificação do solo, condições climáticas predominantes, cepa e enxerto compatíveis um com o outro, a compatibilidade de ambos com o solo, necessidade de irrigação, entre outros fatores.

E isso tudo aliado a outro fator essencial, a conscientização dos produtores locais com a própria identidade do vinho do Cabo, ou seja, a elaborarem um vinho de acordo com as potencialidades do seu "terroir", e com uma personalidade própria, acabou fazendo com que os vinhos sul-africanos obtivessem sucesso e prestígio internacional. Sair da “sombra” de sempre copiar o estilo da França, Austrália ou Califórnia e investir na auto-imagem fez com que o vinho da África do Sul ganhasse nome e competisse com sucesso no exterior com demais vinhos.

Portanto aos que não tiveram a oportunidade de degustar os sabores e aromas dos vinhos sul-africanos essa é uma ótima oportunidade!

Saudações enológicas!

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